Estatuto de conservação internacional e ameaças à cegonha-branca

Como já foi abordado em textos anteriores, as populações de cegonha-branca em Portugal e na Europa são atualmente constituídas por um número elevado de indivíduos, tendo recuperado de números muito baixos que eram observados há algumas décadas atrás.

Neste momento e segundo a IUCN (International Union for Conservation of Nature) a cegonha- branca está classificada para o território europeu como uma espécie Pouco Preocupante em termos de estatuto de conservação (LC – Least Concern). Esta classificação acontece porque esta espécie não apresenta características populacionais e demográficas que levem à sua inclusão numa categoria de risco de extinção, como por exemplo, o declínio da sua população, a diminuição das áreas de ocupação, ou mortalidade e/ou doença causada por parasitas ou outros agentes prejudiciais à sua saúde.

Assim, e de acordo com a IUCN, esta espécie apresenta um número abundante de indivíduos e uma área de distribuição alargada, sendo que até aparenta uma tendência de crescimento do seu efetivo populacional. Neste momento a população europeia está estimada entre 224000 e os 247000 casais, o que equivale a quase meio milhão de indivíduos maturos.

No entanto, ainda existem ameaças à saúde desta ave icónica que sobrevoa os céus da Europa, África e MédWhite-stork-feeding-on-catfishio-Oriente. Uma das mais graves é por exemplo, a drenagem de grandes prados húmidos, locais essenciais de alimentação. A industrialização e a intensificação dos regimes agrícolas provocam também uma diminuição das áreas de alimentação e a contaminação de solos, água e potenciais presas da cegonha-branca por pesticidas e herbicidas cada vez mais utilizados na agricultura moderna. Além disso, e apesar de esta ave ter uma grande adaptabilidade à presença humana, as construções modernas, ao contrário das mais antigas, não são favoráveis à construção de ninhos. As operações de manutenção e limpeza de casas e outras estruturas como postes e torres, afetam também o número de locais onde os casais reprodutores podem nidificar. Outro factor ligado à presença humana que perturba e causa mortalidade nesta ave são as colisões com linhas de alta tensão, principalmente aquando dos seus movimentos de migração. Em alguns países pratica-se também a caça à cegonha.

Para tentar contrariar tudo isto, esta espécie foi introduzida no Anexo 1 da Diretiva Aves, no Anexo 2 da Convença de Berna e no Anexo 2 da Convenção das Espécies Migradoras, protegendo assim a nível legal os indivíduos desta espécie e facilitando a tomada de ações de conservação dirigidas a esta ave, integrando ainda as interações humanas na gestão das populações, tais como a exploração agrícola extensiva e sustentável, o uso reduzido de fertilizantes, a beneficiação e restauro de zonas húmidas, ou o enterramento de linhas elétricas de alta-tensão.

Tiago Neves, Bioinsight

Bibliografia:

http://www.birdlife.org/datazone/userfiles/file/Species/erlob/summarypdfs/22697691_ciconia_ciconia.pdf consultado a 28-10-2015

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