Brincar com o fogo

Autobiografias mais ou menos enraivecidas, uma entrega à vertigem com consequências aventureiras – o indie americano ainda brinca com o fogo. “Fazer filmes”, diz Joel Potrykus, realizador de Grand Rapids, Michigan, não lhe sacia a fome de ver os filmes dos outros. Dá-lhe é “menos tempo para ver as cretinices de que é capaz Hollywood.” […]

Isto (não) é paisagem

Apetece dizer James Benning se envolve numa melancolia proustiana ao fixar demoradamente os espaços, os edifícios da sua cidade, Milwaukee, para reactivar memórias biográficas, fantasmas de gentes – ao fazê-lo, coloca, é claro, o espectador nessa disposição. Em 1976, querendo retratar as mutações, a gentrificação que ameaçava o desaparecimento de uma zona industrial e operária da cidade, colocou a […]

Gimme the Loot: flores para o espectador

O ramo de flores no final, prenda de um filho à mãe (que nunca vimos, de que só ouvimos falar), é o ponto de chegada de Gimme the Loot (2012), de Adam Leon, antes de o filme dizer: The End. É o plano final. Mas nada acabou. Significa, isso, que a coisa vai continuar. Nós é […]

Mortes em Viena

Uma carta de Friz Lang a assumir a convivialidade vienense com a morte. Joseph Cotten a braços com os mortos no Terceiro Homem, de Carol Reed – e ele próprio, provavelmente, sendo um deles. Para a morte caminham um velho mexicano que parece o português Ventura e um ex-killer argentino que é um cancro ambulante. E […]

O cheiro a Jeffrey Dahmer

A morte cheira a café, diz o detective que no Verão de 1991 abriu o frigorífico de Jeffrey Lionel Dahmer, Oxford Appartments de Milwaukee, e encontrou uma cabeça decepada de olhos esbugalhados e boca aberta. Haveria mais crâneos, mãos, esqueletos que o próprio Dahmer depois ajudaria a polícia a recompor para dar corpo completo às 17 […]