“Não tem graça ser famoso pelas piores razões. Torna-se uma ocupação esquisita”

Eis o italoamericano que antes era um dos gordinhos dos movie brats. Silhueta juvenil instalada na androginia. Tem 73 anos. Num retrato escrito na Vanity Fair em 2001 perguntaram-lhe se estava no percurso male to female. Cimino, que mantinha as roupas  à cowboy do passado, justificou: começou com cirurgias plásticas por causa de um problema nos maxilares. Reafirmou-se, nessa altura, “macho”. Esteve em Veneza para revisitar o filme que fez a sua fama infame, de homem cuja “megalomania” destruiu a United Artists e com isso ajudou a fechar o caixão das utopias dos movie brats: Heaven’s Gate, essa espécie de “Nascimento de uma Nação” niilista. A versão original é restaurada pela Criterion. “Não tem graça ser famoso pelas piores razões. Torna-se uma ocupação esquisita”, disse hoje em Veneza. A coisa “esquisita” que interessa: algo que nunca tinha sido visto, na verdade, tapado que tem estado pelo perfil de “acontecimento”, o “unqualified disaster” impossibilitado de, nas coisas belíssimas que tem e nas suas dificuldades, ser visto como aquilo que é: um filme.

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