Bem-vindo sr. Kasinski, mas não tivemos já Jerzy Kosinski?

Este homem, Martin Kasinski, descobre-se um dia célebre sem razão, a cara derramada por todo o Youtube. Mesmo a sua recusa da celebridade é aproveitada pelo circo dos talk shows: deve ser um profeta, as audiências adoram. Como o Chance/Peter Sellers do Being There de Hal Ashby (1979), o jardineiro simplório cujas maximas eram tomadas como alegorias.

Depois Martin grita, grita a sua revolta de homem banal, como o Peter Finch de Network (Sidney Lumet, 1976) –  agora as pessoas não gritam nas varandas, aparecem a gritar no Youtube.

Superstar, de Xavier Giannoli (concurso), com o seu “herói” interpretado por Kad Merad, não faz mais do que redistribuir. Encontramos aqui versões simplistas – menos personagens e mais bonecos a quem o argumentista colocou na boca as “falas” para os “representar”… – da devoradora ingenuidade da personagem do filme de Ashby (adaptado do romance do polaco-americano Jerzy Kosinski, 1933-1991) ou do calculismo corporativo que gelava no premonitório filme de Lumet, que no seu tempo foi entendido como ficção científica  – parecia escandalosa a realidade de hoje. Ironia das ironias: esses filmes dos anos 70 dizem-nos o fundamental sobre nós, sobre o culto do estrelato e sobre o show da realidade, e Superstar apenas replica o culto da superficialidade.

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