Mira Nair: comida para o pensamento, fome para os olhos

Um filme, a abrir o Festival de Veneza, para fazer pensar, disse o director do festival de Veneza, Alberto Barbera. Mira Nair, os fundamentalismos no pós-11 de Setembro e a sua versão de “world cinema”. Isto é: a ligeireza com que compacta um tema, dando a sensação reconfortante de que algo foi problematizado, e um cinema que é sempre celebração ecuménica mas que, sempre também, dança a sua ausência de estilo – ausência de cor ao querer favorecer todas as cores.

The Reluctant Fundamentalist (fora de concurso): um jovem paquistanês que acaba de triunfar em Wall Street quando acontece o 11 de Setembro (Riz Ahmed) vê-se dividido entre a escolha de campo a que pertencer: os EUA onde prossegue o seu “sonho americano” e a sua herança, a sua cultura – e também o apelo do fundamentalismo islâmico.

Do outro lado, um jornalista com uma missão (Liev Schreiber), a personagem que representa o olhar e os preconceitos ocidentais sobre “o outro” – que é como o paquistanês se começa a sentir, o que o impele a reencontrar o seu mundo, a sua “cor.”

Podia ser, então, um filme sobre uma aprendizagem do olhar: a personagem de Schreiber a não ver o essencial sobre a personagem de Ahmed. Mas para os dilemas serem cinematograficamente relevantes, e não apenas politicamente correctos, era preciso que Mira Nair escolhesse o seu território cinematográfico.

 

 

 

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