Whiskey a go go

A sequência mais nojenta da competição de Cannes, daquelas que fazem uma quantidade razoável de espectadores parecerem ter sido coreografados – por exemplo, este movimento: mão na  boca, depois desviar a cara – não foi nenhuma daquelas com grandes planos de seringas no “Antiviral”, de Brandon Cronenberg. Foi num filme de Ken Loach, “Angel’s Share” (e não vou descrever). O que surpreende porque Loach distingue-se por uma fidelidade e por uma ética de relojoaria: tudo no lugar que já conhecíamos.

Esta comédia surpreendeu o concurso de Cannes. Eis a luta pela sobrevivência, agreste, de quem perdeu a autoestima – quatro jovens desempregados de Glasgow – e descobre na bebida uma hipótese de galinha de ovos de ouro: o mundo dos melhores whiskies do mundo. Filme social cruzado com uma variação proletária de “heist film”. Na verdade, o mesmo Loach de sempre. Mas o tom de comédia reforça a claustrofobia e a violência sem nunca sentirmos que estamos a assistir ao Loach de sempre

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