Preparados para Nanni Moretti?

Contra que filme da competição de Cannes Nanni Moretti vai vociferar,  que secreção do underground fará do presidente do júri da competição um fantasma castigador para assombrar críticos? Estava em “Querido Diario” (1992), recordam-se: a “persona” morettiana indignava-se com a violência  de “Henry, Retrato de um Assassino” (John MacNaughton, 1986), deambulava  por Roma e encontrava a prova do delito e o criminoso na pessoa de um crítico de cinema que defendera esse filme e que, cheio de remorsos, não encontrava descanso durante a noite. Moretti não era bálsamo para o inferno do outro e lia-lhe o que ele escrevera sobre “Henry…”  como se lhe cravasse facas no peito. Lia-lhe também a defesa que o crítico  fizera desse “pus do underground” chamado “O Festim Nu” (1991), de David  Cronenberg… É isso, há “Cosmopolis”, de Cronenberg, na lista dos 22 filmes em concurso no Festival de Cannes que começa na quarta-feira (abertura com “Moonrise Kingdom”, de Wes Anderson). Que o presidente do júri, o cineasta  que mais tem (re)inventado a sua relação com o cinema através do puritanismo, da neurose, da obsessão do controle, se irrite então nesta edição.  E convém não esquecer o golpe que ele deu como membro do júri da presidente Isabelle Adjani, em 1997, conseguindo enfiar no palmarés “O Sabor da Cereja”, de Abbas Kiarostami. E há um Kiarostami em competição neste concurso. Preparados para Nanni Moretti?

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