Cannopolis

Cannes anunciou a selecção oficial: lança Cosmopolis de David Cronenberg, um dos filmes mais aguardados do ano. O cineasta, o actor, Robert Pattinson, e o autor, Don DeLillo, estarão em Portugal para a estreia

Robert Pattinson no filme de Cronenberg

A operação David Cronenberg começará ali, Cannes 65.ª edição, a decorrer entre 16 e 27 de Maio, com Cosmopolis em competição. Um dos filmes mais aguardados do ano, uma produção de Paulo Branco, estreia-se em Portugal dias depois, a 31 de Maio, e está marcado o acontecimento com o seguinte cocktail: o actor Robert Pattinson, o realizador David Cronenberg e o escritor Don DeLillo – cujo romance o cineasta canadiano adaptou por sugestão do produtor português -, os três em Portugal, segundo disse ontem Paulo Branco à agência Lusa.

Pattison interpreta Eric Packer, de 28 anos, que reina sobre Wall Street, e enquanto atravessa Manhattan com o seu chauffeur para cortar o cabelo, e enquanto o seu império vai diminuindo ao minuto porque há nuvens negras a pairar sobre a bolsa, a bolha virtual que o protege é violada pela empolgante e ofegante violência do mundo – lá fora.

Os teasers que circulam sobre estas 24 horas de paranóia estão a depositar em Cosmopolis a responsabilidade de reinstalar Cronenberg numa zona de perigo, selvagem e lúdica, onde talvez o tenhamos deixado algures em 1999, provavelmente com um filme chamado eXistenz – ecos desse filme ouvem-se agora nos trailers de Cosmopolis, tal como qualquer coisa de Jude Law parece ter sido transferida para Pattison.

Haverá uma “operação Cronenberg” no Festival de Cannes também porque na secção Un Certain Regard o filho de David, Brandon, apresenta a sua estreia na longa-metragem, Antiviral. (Dizer que “quem sai aos seus não degenera” é reiterar um lugar-comum, mas, pior do que isso, é ser profundamente anti-cronenberguiano.) Antiviral conta a história de um empregado de uma clínica que vende injecções com vírus de celebridades doentes a fãs obsessivos ou que, mais olímpico ainda, transporta dentro do corpo amostras ilegais desses vírus – e, às tantas, é o próprio empregado que, infectado com a doença que mata uma superestrela, se torna alvo da cobiça dos fãs.

Regressando à competição desta edição: Alain Resnais, à beira dos 90 anos, apresenta Vous n”avez encore rien vu e no caso dele isso costuma ser verdade, parece que não vimos nada ainda, que a coisa está a ser inventada ali, no ecrã, ao vivo (Mathieu Amalric, Sabine Azéma e Pierre Arditi no cast); de Michael Haneke, que em 2009 venceu a Palma de Ouro com O Laço Branco, veremos Amour, com Isabelle Huppert e Jean Louis Trintignant – casal retirado depois da doença da mulher – e Rita Blanco (foto ao lado) a fazer a empregada portuguesa; Léos Carax mostra Holly Motors; Jacques Audiard regressa três anos depois do Grande Prémio do Júri a Um Profeta com De rouille et d”os, história de amor com Marion Cotillard e Matthias Schoenaerts, naquele que parecer ser o regresso ao melodrama tal como o encontrávamos em Sur mes Lèvres (2001); Abbas Kiarostami leva Like Someone in Love; Walter Salles filmou a sua versão do On the road de Jack Kerouac (o que fará com que Kirsten Stewart talvez se possa encontrar em Cannes com o seu par de Crepúsculo, Pattison); de Matteo Garrone, o cineasta de Gomorra, veremos Reality; Ken Loach leva The Angel”s Share. Ainda: os novos filmes de Andrew Dominik (Killing Them Softly, com Brad Pitt), John Hillcoat, Sergei Loznitsa (dois anos depois de My Joy), Hong Sang-soo (também com Isabelle Huppert), Im Sang-soo, Cristian Mungiu (o realizador de 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, Palma de Ouro Cannes 2007), Jeff Nichols, Carlos Reygadas, Ulrich Seidl ou Thomas Vinterberg (14 anos depois de Festen).

O outro Cronenberg

Wes Anderson abre o festival e o concurso, com Moonrise Kingdom: Bruce Willis, Ed Norton, Bill Murray e Frances McDormand e a história de um casal de jovens apaixonados que foge de casa da pequena cidade onde vive na Nova Inglaterra, durante uns dias de tempestade no Verão de 1965, o que motiva uma mobilização local para os encontrar.

Para além da presença do outro Cronenberg, Brandon, a secção paralela Un Certain Regard receberá 7 Days in Havana, filme-mosaico, com segmentos realizados por Laurent Cantet, Benicio Del Toro, Julio Medem, Gaspar Noé, Elia Suleiman, Juan Carlos Tabío e Pablo Trapero; 11.25 The Day He Chose His Own Fate, de Koji Wakamatsu; Student, de Darezhan Omirbayev; ou, para continuar a promover uma “criação” do festival, Laurence Anyways, do canadiano Xavier Dolan, o realizador de J”ai tué ma mère e de Os Amores Imaginários.

Fora de competição estarão o Dracula de Dario Argento, Io e te, de Bernardo Bertolucci, Hemingway & Gellhorn, de Philip Kaufman, The Legend of Love & Sincerity, de Takashi Miike, ou Thérèse Desqueyroux, com Audrey Tautou, o filme de encerramento com que o festival homenageia o recentemente desaparecido Claude Miller.

Em sessão especial vai ser exibido Mekong Motel, de Apichatpong Weerasethakul (vencedor da Palma de Ouro, em 2010, com O Tio Boonmee que se Recorda das Suas Vidas Passadas), parte de um projecto artístico – e ecológico – sobre a forma como as construções de barragens na China, Laos e Tailândia afectaram a vida das populações.

O júri da competição é presidido por Nanni Moretti.

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