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  • Não acreditem no céu, acreditem na Jô

    Quando chegámos à Chapada dos Guimarães, perto de Cuiabá, Mato Grosso, só tivemos mesmo tempo de almoçar no restaurante do Morro dos Ventos, olhando para a magnífica cachoeira Véu de Noiva. Minutos depois, levantou-se um vento que fazia justiça ao nome do local, e começou a cair uma chuva que não parou mais.

    Nada de pancadas de água, a chuva forte que dura pouco tempo como tínhamos visto no Pará. Aqui era chuva pegada, caindo monótona sobre a água da piscina da pousada Villa Guimarães, onde nos hospedámos. Qualquer passeio parecia comprometido, até porque a manhã seguinte chegou sem chuva mas com uma névoa espessa. Ver o quê da maravilhosa paisagem da região se mal conseguíamos ver as árvores do jardim?

    Foi então que chegou a Jô. Jolenil Martins, de seu nome completo, guia das paisagens naturais da zona, uma espécie de Ranger da Chapada. Sorridente, bem-disposta, colete cheio de bolsos como qualquer bom explorador, e uma convicção inabalável: “Vai abrir”. Nós olhávamos lá para fora incrédulos. E, cépticos, dizíamos que não, que desistíamos do passeio, que ia ser impossível fotografar fosse o que fosse, que íamos embora. E ela insistia, sempre com um sorriso: “Têm que passar creme protector por causa do sol, hoje vamos suar muito”.

    Até que o poder de persuasão da Jô venceu o que parecia ser a evidência do céu cor de chumbo. Pusemos o creme e lá fomos. E só podemos agradecer a persistência dela. Em pouco tempo o céu abriu – e abriu-se à nossa frente a paisagem única do cerrado e da mata ciliar. Essa paisagem que noutros pontos foi substituída pelos campos de soja, mas que aqui permanece magnífica, mantendo plantas e animais numa biodiversidade que nem conseguimos começar a abarcar.

    Por isso, um conselho: se passarem pela Chapada dos Guimarães (e vale a pena passar), acreditem na Jô e não no céu. Ela é que sabe.

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