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  • Rolezinho rola até Não Vai Ter Copa

    Um enorme centro comercial, Iguatemi do Lago Norte, o mais frequentado pela classe alta de Brasília, fecha as suas lojas de luxo a um sábado à tarde. Fica cercado por polícia e por homens que olham de frente quem se aproxima. No lado de fora, um grupo de não mais de duas dezenas de rolezeiros – muitos deles estudantes universitários, alguns de juventudes partidárias e uns quatro jovens da periferia – saca de uma coluna de som, e põe a tocar funk e até o Geração Coca-Cola dos Legião Urbana. Num terceiro grupo, uma dezena de jornalistas sentados na relva tecla ao computador.

    Em Junho, isto chamar-se-ia protesto, hoje chamou-se rolezinho e foi marcado no Facebook por um grupo de amigos activistas (entre eles Pilar de Freitas, Serginho Lopes e Franklin Rabelo de Melo, que irão conhecer numa das nossas reportagens): quiseram estar solidários contra a violência policial exercida em rolezinhos passados. Rolezinhos são encontros marcados pelas redes sociais entre jovens da periferia para irem passear dentro do centro comercial, juntando às vezes grandes grupos, e estalou um polémica recentemente porque alguns shoppings em São Paulo barraram a entrada a jovens e por a polícia ter usado balas de borracha e violência.

    De manhã, os jornais tinham anunciado que o shopping Iguatemi iria fechar, portanto a organização já estava à espera que não aparecesse muita gente. Mas o aparato policial dá afinal ainda mais força a quem o organizou: o gigante tem medo do anão e protege-se na sua fortaleza accionando a segurança máxima. Passada uma hora e meia, e com um protesto Não Vai Ter Copa marcado para as 17h no Brasília Shopping, desliga-se a música, arruma-se o megafone, e os rolezeiros rolam nos seus carros até ao Não Vai Ter Copa. Se estavam mais de 50 manifestantes ao todo, contando com os do rolezinho, era muito. Já de polícia e polícia militar, o número era bem maior. Para os rolezeiros, o dia já tinha sido ganho.

    Ouçam a Mácia Teixeira:

Comentários

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  1. Tomás

    Excelente matéria, mas to passando só pra avisar que a Peninsula dos Ministros é no Lago Sul, não no Lago Norte. Apesar do shopping em questão ser realmente o mais “chic” de Brasília o bairro é considerado de classe média. Classe alta é o Lago Sul, ou até mesmo algumas areas como às margens do Lago nas Asas Sul e Norte.

    • Vera Moutinho

      Viva, Tomás
      Tem razão, fou um lapso da nossa entrevistada que já corrigimos no vídeo. Apesar de aquele centro comercial ser frequentado pela classe alta, a Península dos Ministros em Brasília é no Lago Sul e não no Lago Norte.
      Obrigada,
      Vera Moutinho

  2. Mariana Dias

    É triste que tenha que acontecer este tipo de coisas para que o povo se faça ouvir. Sou residente portuguesa em São Paulo, trabalho em shopping. Os prejuízos do fecho de lojas são enormes tanto para as grandes como para as pequenas lojas geridas por pessoas mais simples e que apenas querem tocar o seu negócio, o seu ganha pão do dia a dia. O orgulho de dizer “fechamos um shopping” é egoísta para com as pessoas que trabalham e vivem às custas do ecossistema de um centro comercial.
    Contra as manifestações? Não. Mas contra a violência e a ameaça dos milhares de pessoas que circulam nos corredores de centros comerciais, incluindo uma grande percentagem de idosos e crianças. Manifestar desagrado? Sim. Com respeito e sem violência.

    Os portugueses pelo menos se manifestam em paz… sem armas… com cravos.

  3. Thur

    Os ricos têm medo dos pobres e estes são sempre “estigmatizados” de agressivos e vândalos e isto não é verdade!!!!