Ano Grande Brasil

Brasil

  • O creme compensa

    Há imperiais e há chopps. Uma imperial com espuma a mais não presta. Por isso o que é que se faz quando chega um chopp de “colarinho” larguíssimo? Vai-se ao balcão pedir que tirem a espuma como se fosse uma imperial.

    Acontece que um chopp não é uma imperial. E portanto, ao prová-lo é fácil perceber que se deitou fora a espuma que não é espuma, é creme, ou melhor, é mousse. Será que dá para a pedir de volta?

    O Armazém do Ferreira, na Asa Norte de Brasília, é especializado em petiscos. E aqui, como diz um dos gerentes, há um lema: “O creme compensa”.

    Valdinez, 40 anos, especialista na arte de tirar chopps, vencedor de concursos, vai nos quase 630 servidos: e a sua função ali é essa, servir chopps. Aparece por detrás de uma enorme máquina gelada, com várias torneiras, e uma torneira especial de onde só sai a tal espuma-creme-mousse, e está tão concentrado em gelar o copo onde vai cair a cerveja que até hesitamos em lhe fazer mais perguntas, não vá ele derramar a espuma (ao menos que vá então parar ao nosso copo e compensar a que deitámos fora há bocado).

    Porque é que este creme é o segredo de um bom chopp? Porque ajuda a manter o gás, a temperatura e a qualidade. A mim bastava-me uma resposta: porque é bom. O perito Valdinez, há sete anos no Armazém do Ferreira, diz de quem pede chopp sem espuma: “Não sabe tomar um chopp de qualidade.” Nem mais. Um chopp  destes não é uma imperial, lição aprendida.

Comentários

Deixar resposta Cancelar resposta

Esta zona de comentários não faz parte do sistema de reputação do PÚBLICO

  1. Fidel

    Pelo que li das reportagens feitas até agora continua a mesma abordagem romantica de sempre que se faz em Portugal sobre o Brasil, retratando-o como uma espécie de paraiso exotico. Do verdadeiramente preocupante que importa reportar nada por enquanto. Falo das lutas dos flagelados favelados, dos trabalhadores sem-terra, dos sem-teto, do negro que quase se imolou no mastro da bandeira de Brasilia por considerar o Brasil uma patria assassina de negros (obviamente considerado mentalmente perturbado pela policia), do negro brutalmente espancado por segurancas de um shopping em Sao Paulo por estar a conduzir o seu proprio carro, um Ford Eco, considerado pelos brutamontes como de luxo para um negro, dos ambientalistas e jornalistas regularmente assassinados pelos senhores de terra na Amazonia, do trabalho escravo, etc.