Fumar/não fumar em Belgrado

Saí do Rio de Janeiro no último dia da Primavera, aterrei em Belgrado no primeiro dia do Inverno. É o que acontece quando atravessamos o Equador em Dezembro. Não consigo ver a distância no Google Maps, porque não dá para ir a pé, de carro ou de autocarro. Ficam só dois pontinhos no planisfério, sem […]

Diga à morte que estou escrevendo

1. Foi uma semana antes do Carnaval de 2005, lembra ela. Estavam juntos havia 15 anos e ele nunca ficava doente, mas dessa vez havia “uma sensação de congestionamento na garganta”, um pigarro persistente, perda de paladar. Portanto, apesar de ele sempre fugir de médicos, nessa semana foram juntos ver o que era. Quando a […]

Babilónia

Nunca tinha trepado as traseiras do Leme. Anos de Rio de Janeiro e tanto por começar, tomara o amor em geral. O Leme é aquele bairro que é uma ponta de Copacabana, o desfecho da baía de Copa antes do morro que esconde, do outro lado, a baía de Botafogo. Não muito a minha praia, […]

E a sá-uuuuu-dádji

1. Aterrei no Galeão às 7h18 da manhã e três horas depois saí do táxi, um recorde pessoal. Ah, que saudades eu tinha de derreter no trânsito, dos ônibus desembestados, do motorista dizendo que lugar de grafiteiro é na cadeia, do patrão de motorista dizendo que o salário mínimo está é alto, e as obras […]

Eu estou aqui

1. É num destes dias de chuva interminável em Lisboa. Venho de Santos para o Cais do Sodré junto ao rio, passando armazéns e restaurantes fechados, aquela desolação das traseiras das coisas quando chove, e rajadas de partir guarda-chuvas do chinês. Então, ao dobrar o último edifício antes da estação de barcos, há uma família […]

A Amazónia salva das águas

1. O terceiro taxista com quem falei disse que aquela chuva toda era vontade de deus, eu disse que era culpa do homem, ele rematou: — E o que é que vamos fazer? Mas pelo menos levou-me ao Museu de Etnologia, coisa que não fizeram os dois primeiros na praça de táxis de Belém, o […]

Aquilo que nos deixa adormecer a cada noite

1. Animais: sento-me em frente ao mar de Caxias e logo o cão da mesa ao lado vem agitar a cauda, investigar-me. A dona diz, Mel, deixa a senhora, mas eu faço festas ao Mel e passamos bem. Converti-me aos cães, tudo é possível. Isso aconteceu no Rio de Janeiro, com a Bela, com a […]

Cut Short

1. Entre fechar um livro e mudar do Alentejo estava difícil uma ida conjunta a Torres Vedras para ver a exposição que o Pedro Letria lá montara. Ele foi propondo combinações de gente e transportes até que in extremis houve fumo branco. Literalmente o sábado em que a exposição acabava, 1 de Novembro. Juntámo-nos em […]

O fim do mundo na próxima curva

1. Ao fim de sete meses sem mar, tenho o mar do outro lado da rua. Esta casa já existia em 1961, portanto gosto de imaginar que o blindado da Fuga de Caxias passou mesmo por baixo da minha janela, com os GNR a correrem atrás dos comunistas, igual a um filme do Chaplin. Escrevo […]

A resistência em Marrocos vista de Paris

1. Perdi por um triz a exposição “Marrocos Medieval”  no Louvre, porque o meu voo Paris-Lisboa era um dia antes da abertura. Mas consegui ver, a caminho do aeroporto, “Marrocos Contemporâneo”  no Instituto do Mundo Árabe, inaugurada na véspera. Ambas resultam da colaboração entre franceses e marroquinos, e articulam-se, em contraponto. Mega-presença marroquina na “rentrée” […]