Acordados!

Por João Paulo Batalha, membro da Direção da TIAC

O que nos levou ao edifício da Alfândega? Mais de 150 pessoas que encheram uma sala, casais, famílias, grupos de amigos e vizinhos, num domingo à tarde. Para a Transparência e Integridade, Associação Cívica (TIAC), o concerto “Música para Acordar” foi uma oportunidade de abrir as portas aos nossos associados e apoiantes sem ser no cenário mais formal, e intenso, de uma conferência ou seminário. Foi uma forma de celebrar o Dia Internacional de Combate à Corrupção, 9 de dezembro. Mas foi sobretudo o pretexto para apresentarmos publicamente a nova campanha que a Transparência e Integridade acaba de lançar.

A campanha Hora de Acordar, dinamizada a nível global pela rede anticorrupção Transparency International, foi adaptada para o nosso país pela TIAC, representante nacional da rede. Ao todo, 17 países fizeram já o lançamento da campanha; e muitos outros se seguirão em 2013. Nós escolhemos fazer soar este grito neste dia, cientes de que os dias que aí vêm estão cheios de desafios.

Como ficou demonstrado na exaustiva análise que realizámos ao Sistema Nacional de Integridade do país, a luta anticorrupção em Portugal esbarra contra a falta de uma estratégia integrada, exigente, de combate ao crime. Uma estratégia que defina metas claras, crie os meios e as ferramentas necessárias para concretizar os objetivos, meça os resultados — e responsabilize as instituições e os líderes pelos frutos do sistema. Pior do que não termos esse rumo; não há da parte das lideranças empenho em construí-lo.

Ora, onde falta vontade política tem de se impor a vontade cívica. Os portugueses estão, hoje mais do que nunca, atentos à urgência de travar a corrupção e promover governos (a nível local, regional e nacional) que sejam mais transparentes, mais abertos aos cidadãos, mais responsáveis perante a comunidade que os elege. O império do arbítrio deu maus resultados, e é por isso que é hora de deixar o deixa-andar.

É hora de acordar as consciências dos portugueses, mostrar a cada um de nós que cada voz conta, cada gesto soma-se a outro e a outro; e é do somatório deles que se constroem as mudanças. Mais do que veículo dessa mensagem, esta campanha é aliás espelho dessa verdade. Numa organização como a TIAC, quase inteiramente voluntária e com escassíssimos meios financeiros, foi a criatividade, o empenho e o talento de voluntários que criaram os materiais e eventos que vamos desenvolver e publicar até ao verão de 2013. Foi a vontade de participar e contribuir de cidadãos orgulhosos em estarem do lado certo que nos trouxe até aqui — e que nos levará ao nosso destino.

É hora de acordar também — e sobretudo — as nossas lideranças, no poder político, na Justiça, na administração pública, no setor privado. Numa sociedade exaurida pela impunidade e o desconcerto, é hora de acordar os que nunca são importunados, é hora de inquietar os poderosos. Hoje, começamos por aqui. Muito mais há a fazer num combate desigual, travado entre poucos que podem muito e muitos que podem pouco. Que sejamos cada vez mais. Que cada um participe no muito ou pouco que possa. Dando de si, passando a palavra. Hoje fomos 150. Para começar.

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