Governos devem responder à vontade de ação contra a corrupção

Portugal continua sem progressos visíveis no Índice de Perceção da Corrupção 2012

Uma reivindicação crescente contra governos corruptos forçou vários líderes a abandonar os seus cargos no ano passado. Contudo, os níveis de corrupção, abuso de poder e relações secretas ainda são muito altos em muitos países. O Índice de Perceção da Corrupção da Transparency International de 2012 mostra que a corrupção continua a assolar as sociedades em todo o mundo.

Dois terços dos 176 países classificados no índice de 2012 obtiveram uma pontuação abaixo de 50, numa escala de 0 (perceção de ser altamente corrupto) a 100 (percebida como muito limpo), mostrando que as instituições públicas precisam de ser mais transparentes e que os agentes públicos poderosos devem mais responsáveis.

“Os governos precisam de integrar as suas ações de combate à corrupção em todos os processos públicos de tomada de decisão. As prioridades devem incluir melhores regras para o lobby e financiamento político, tornando mais transparentes os gastos e a contratação pública, assim como tornando os órgãos públicos mais responsáveis perante as pessoas”, diz Huguette Labelle, presidente da Transparency International. “Depois de um ano de enfoque na corrupção, esperamos que os governos tomem uma posição mais dura contra o abuso de poder. Os resultados do Índice de Perceção da Corrupção de 2012 demonstram que as sociedades continuam a pagar o alto custo da corrupção”, diz Labelle.

Muitos dos países onde os cidadãos desafiaram os seus líderes a acabar com a corrupção – do Médio Oriente à Ásia e à Europa – têm visto as suas posições no índice a estagnar ou piorar.

Índice de Perceção da Corrupção 2012: Os resultados

No Índice de Perceção da Corrupção de 2012, a Dinamarca, a Finlândia e a Nova Zelândia empatam no primeiro lugar com uma pontuação de 90. Não por acaso, estas são sociedades que estão apoiadas num elevado nível de acesso a sistemas de informação e em regras claras que regem o comportamento dos agentes em cargos públicos.

Afeganistão, Coreia do Norte e Somália continuam no degrau mais baixo do índice. Nestes países, a falta de uma liderança responsável e de instituições públicas eficazes realçam a necessidade de se tomar uma posição muito mais forte contra a corrupção.

Portugal apresenta um ‘score’ de 63, ocupando a 33ª posição no ranking, ex-aequo com o Butão e Porto Rico. Em termos de União Europeia, está no 15º lugar, tendo atrás de si Malta, Grécia, Itália e países de Leste.

“Os investidores e observadores estrangeiros que compõem o Índice de Perceção da Corrupção continuam a não ver progressos visíveis em Portugal. A tendência de estagnação – e até de retrocesso – é a imagem de marca do nosso país no combate à corrupção e isso tem reflexos negativos na nossa capacidade de atrair investimento estrangeiro que nos ajude a sair da crise”, aponta Paulo Morais, vice-presidente da Transparência e Integridade, Associação Cívica, correspondente em Portugal da Transparency International. “Depois de uma década sem progressos, é altura de mudar as regras do jogo. Temos de garantir que os próximos dez anos serão anos de progresso no combate à corrupção. E cabe à sociedade civil fazer pressão sobre os nossos líderes nesse sentido”.

O baixo desempenho no Índice de Perceção de Corrupção de 2012 é um ponto em comum entre os países da zona euro mais afetados pela crise financeira e económica. A Transparency International tem constantemente alertado a Europa para a necessidade de enfrentar os riscos de corrupção no setor público de forma a fazer face à crise financeira, exigindo esforços acrescidos na criação de instituições públicas à prova de corrupção.

Metodologia

Este ano, a Transparency International atualiza a metodologia do Índice de Perceção da Corrupção 2012. Para refletir esta atualização, o índice é apresentado numa escala de 0 (muito corrupto) a 100 (muito limpo).

3 comentários a Governos devem responder à vontade de ação contra a corrupção

  1. Gostaria de saber se a TIAC tem alguma posição sobre um facto difícil de lidar, mas incontornável: o maior foco de corrupção é o parlamento, e a classe política que governa Portugal. Mais concretamente, refiro-me aos três partidos “de governo”.
    Não parece realista esperar que a actual geração de deputados se sensibilize para as questões da _grande_ corrupção. Não com as promiscuidades e “identidades” denunciadas por Paulo de Morais. A conclusão é inevitável: a actual classe política tem de ser desalojada, o que é praticamente impossível com o actual sistema eleitoral.

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    • Caro Jorge Tavares,

      A TIAC tem apontado, quer nos estudos e tomadas de posição oficial que publica, quer nas declarações dos seus principais dirigentes, que os conflitos de interesses no Parlamento, no Governo e nos partidos são uma ameaça ao Sistema Nacional de Integridade e facilitam uma cultura de opacidade e de degradação da confiança dos cidadãos.
      Do mesmo modo, aspetos fundamentais para o funcionamento da democracia, como o do financiamento partidário, continuam a não satisfazer requisitos essenciais de probidade e transparência.
      Estas são questões transversais ao sistema político e, como tal, não se alteram com a mera substituição de líderes eleitos. Os cidadãos precisam de fazer pressão sistemática no sentido de alterar leis, criar mecanismos de controlo e fiscalização e fazer aplicar as regras, sem apelo nem agravo. Isso faz-se com mais intervenção cívica, mais organizada, que crie a força suficiente para a mudança.
      Obrigado pelo seu apoio!

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  2. A luta contra a corrupção é muito fraca,porque o sistema está montado a quase todos os niveis,e a educação do povo vai sendo toda orientada para as facilidades e competição entre cada um, para ver “quem ganha e tem mais” em vez de quem é mais honesto , humilde e digno de consideração pelo semelhante !… Enquanto assim for não saímos da cepa torta !!! Chegam as novelas,o futebol ;nada de consciência política !!!

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