A transparência é má para o negócio?

Com os mercados globais em recessão ou estagnação, cada vez mais empresas se debatem com o desafio de aumentar (ou, pelo menos, manter) as suas quotas de mercado. E na ânsia de sobreviver à crise, a tentação do suborno, do pagamento ilícito e do favorecimento parece mais viva do que nunca.

Os dados da 12ª Global Fraud Survey parecem espelhar este estado de coisas: 39% dos executivos entrevistados neste estudo indicam que o suborno ou outras práticas corruptas são uma constante nos seus países. Pior do que isso, são mais os grandes responsáveis de empresas que se confessam dispostos a subornar para ganhar negócios (15%, contra os 9% que tinham sido registados na versão anterior do estudo), ou a falsear os dados da performance económica da sua empresa (5%, contra 3% na última sondagem).

Será a integridade nos negócios a primeira vítima da crise? Sem dúvida que a falta de transparência está no centro de muitos dos escândalos que causaram a crise financeira global. No setor financeiro, por exemplo, continuamos a aguardar a liderança imprescindível para reforçar o ambiente regulatório e restituir a confiança no sistema.

Mas nem todos os empresários parecem achar que o crime compensa. Na Alemanha, mais de 30 presidentes executivos de grandes empresas escreveram ao Parlamento federal pressionando o país a ratificar, finalmente, a Convenção das Nações Unidas Contra a Corrupção. Os líderes empresariais alegam que é preciso aplicar a Convenção, nomeadamente para reforçar as penalizações pelo crime de suborno a deputados.

Até há poucos anos, o código fiscal alemão permitia que as empresas deduzissem como despesas operacionais o pagamento de subornos no estrangeiro. Agora, são as principais indústrias exportadoras alemãs a queixarem-se de que o atraso na ratificação da Convenção das Nações Unidas diminui a competitividade das empresas, que enfrentam uma espécie de “crise de autoridade” quando tentam que os seus parceiros de negócio noutros países reforcem os seus mecanismos de combate à corrupção e à fraude.

A iniciativa dos CEO alemães parece indicar uma outra perspetiva perante a crise: a de que a prosperidade do negócio não depende de atalhos e favorecimentos obscuros, mas sim de regras claras e transparentes, de mecanismos de controlo contra o abuso e de uma atitude transparente junto dos mercados. É um exemplo que importa seguir.

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