O valor de uma “mãozinha”

Se é certo que a crise veio por a nu o falhanço dos mecanismos de controlo – não apenas dos Estados, mas de muitas empresas que acabaram na falência graças à sua contabilidade criativa –, parece que as lições do colapso financeiro ainda não foram aprendidas por todos. A demonstrá-lo está o estudo, noticiado pela Reuters, que diz que um número crescente de executivos de topo está disposto a pagar subornos para ganhar novos contratos ou manter contratos existentes.

Segundo o estudo anual sobre fraude conduzido pela Ernst & Young, o número de executivos de topo em empresas de primeira linha que confessou estar disposto a pagar subornos para garantir negócio – sobretudo em processos de expansão para mercados emergentes – pulou de 9 por cento no ano passado para 15 por cento este ano.

“No estado atual dos mercados, crescimento e uma conduta ética podem parecer prioridades contraditórias”, disse à Reuters David Stulb, responsável pela área de fraude e contencioso na Ernst & Young. “Os resultados mostram que, à medida que as empresas procuram oportunidades em novos mercados, muitos executivos estão a subestimar os riscos. Os Conselhos de Administração precisam de pressionar a Direção Executiva para que faça controlos de risco e de combate à fraude e corrupção mais frequentes e mais robustos”.

Qualquer empresa (ou pessoa) em apertos conhece a sensação de ver o urgente passar à frente do importante. Na ânsia de manter quota de mercado, as empresas estão dispostas a pagar por favores ou a comprar simpatias junto de governantes ou responsáveis públicos. O problema é que, a médio prazo, este é precisamente o tipo de negócio que não interessa. Exportar uma cultura de corrupção para países emergentes tem custos brutais para as empresas, porque distorce o mercado e impede que o país adote regras limpas, promotoras da competitividade.

Além disso, contratos baseados na “mãozinha” dos líderes locais dificilmente criam bases de negócio sólidas e duradouras. A empresa que se deixa cair nesta armadilha fica sempre dependente da arbitrariedade de quem recebeu o suborno. E, como é óbvio, gente que recebe subornos não é gente de confiança.

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