O estranho caso do dinheiro fugitivo

Só recentemente as economias mais avançadas do mundo, reunidas no G20, perceberam a importância de limitar o poder dos offshores financeiros. Os paraísos fiscais custam todos os anos milhares de milhões de euros à economia mundial, porque servem de refúgio a empresas e investidores que assim se furtam ao pagamento de impostos nos países de onde provém o seu lucro. O resultado desta evasão fiscal é uma crescente dificuldade dos países em financiarem os seus programas sociais e o investimento público necessário ao desenvolvimento de infraestruturas e ao aumento dos níveis de vida das populações.

Nos últimos anos, o G20 tem pressionado dezenas de paraísos fiscais a assumir uma posição mais cooperante com as autoridades, fornecendo informações relevantes para a investigação de casos de fraude, branqueamento de capitais ou fuga fiscal. O problema, revela um estudo agora publicado, é que estes esforços não estão a ser bem sucedidos. De cada vez que uma praça financeira assina acordos de cooperação com um país, o dinheiro depositado nesse offshore tem tendência a fugir para outro paraíso fiscal onde esses acordos de cooperação não existam. Em resumo, os capitais tendem a procurar refúgio nas praças mais opacas e menos cooperantes.

Segundo conta o jornal britânico The Guardian, a reação da OCDE e do G20 a este estudo é cautelosa. Citado pelo jornal, Pascal Saint-Amans, da OCDE, indica que ainda é preciso esperar mais alguns anos para medir o verdadeiro impacto das políticas de transparência e combate à evasão fiscal. Veremos como a situação evolui, e que passos os países mais poderosos do mundo estarão dispostos a dar para garantir a justiça fiscal no sistema financeiro.

Para Portugal, este assunto não é indiferente. O uso de sistemas fiscais mais vantajosos é prática corrente das grandes empresas e, como lembrou aqui no Às Claras João Pedro Martins, o offshore da Madeira, cujo estatuto está agora no centro do debate, é precisamente uma dessas praças que oferece vantagens aos investidores – sem no entanto garantir benefícios claros às populações.

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Um comentário a O estranho caso do dinheiro fugitivo

  1. Relativamente aos paraísos fiscais, é já antiga a minha opinião de que são um dos maiores etraves às referidas necessidades “dos países em finan­cia­rem os seus pro­gra­mas soci­ais e o inves­ti­mento público necessário ao desen­volvi­mento de infraestru­turas e ao aumento dos níveis de vida das populações”.
    Assim sendo, parece-me legitimo, por parte dos governos dos diversos países, de se sentirem gravemente e directamente lesados em perdas financeiras astronómicas, sendo que, por muito menos já se iniciaram incidentes e conflitos militares entre estados soberanos ao longo da história.
    para resumir a minha opinião e de forma radiacal: Fechar todos os offshores no planeta já! Nem que seja à BOMBA. Morram os offshores. PIM!

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