Banco do Estado sub suspeita

O Ministério Público acusou vários gestores e sociedades do Grupo Caixa Geral de Depósitos de fraude fiscal. Entre os acusados está o ex-administrador Jorge Tomé, que se prepara para assumir a presidência executiva do Banif. Em causa estão alegados crimes cometidos durante a operação de fusão da Sumolis com a Compal, assessorada e financiada pelo banco do Estado.

Uma acusação deste género não é habitual no nosso país, e só isso já justifica que se acompanhe com atenção o desenrolar deste caso. O papel do setor financeiro na condução dos grandes negócios em Portugal – e a sua responsabilidade na crise que o país atravessa – não estão ainda inteiramente claros.

No final de dezembro, aqui no Às Claras, Carlos Pimenta refletia sobre a forma como os poderes económicos se têm sobreposto à autoridade política nas sociedades ocidentais – e o que isso significa como fator permissivo da corrupção. Também há mais de três meses, João Pedro Martins expunha os circuitos da fuga fiscal em Portugal, que beneficiam grandes empresas, através de offshores como o da Madeira, com custos de milhões de euros em receita fiscal perdida para os contribuintes e o país.

Decididamente, a discussão destas matérias merece uma atenção mais próxima e um maior envolvimento da sociedade civil. Se este processo ajudar a desencadear esse debate, já terá prestado um bom serviço público.

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