Malato

coluna do Público de 29 de Agosto

Depois da experiência conturbada do talk-show Sexta à Noite, José Carlos Malato regressou ao horário nobre da RTP-1 com o concurso diário Jogo Duplo, formato de origem inglesa. No entanto, quem pare no primeiro canal sem saber que é um novo concurso que Malato está a apresentar pode ficar com a sensação de que está a ver, outra vez, Quem Quer Ser Milionário ou A Herança, com os mesmos cenários sofisticados, a mesma realização eficaz, as mesmas perguntas de cultura geral e, claro, o mesmo apresentador. 

Isso não é necessariamente um problema: entre Malato e Jorge Gabriel, por exemplo, Malato ganha à cabeça porque o seu estilo mais descontraído e bem-humorado é ideal para um concurso — nunca temos a sensação que ele está ali a fazer frete. E, claramente, o público gosta de o ver a apresentar concursos (os primeiros resultados de audiência de Jogo Duplo são bastante bons). Mas isso não deixa também de representar uma possível armadilha para o apresentador, depois da decepção de Sexta à Noite — Malato não é apenas um homem de concursos, mesmo que seja assim que as pessoas mais gostam de o ver…

2 comentários a Malato

  1. Não me parece que o “Sexta à Noite” tenha sido uma decepção. A maior virtude do programa foi mostrar que JCM dá espaço aos convidados para que brilhem. Todos os convidados marcavam esse programa como se não tivesse havido outros convidados ou fossem o convidado principal. Ao contrário do que acontencia com o Herman José em que havia convidados (sobretudo musicais) que iam lá cantar uma cançãozita, davam-lhe o disco (que ele oferecia ao convidado seguinte) e iam logo embora sem se sentarem (já que não eram Ágata ou o Tony Carreira).Como as audiências não eram as melhores (como se isso fosse importante numa televisão pública)começaram a inventar com a saída do Nuno Markl (mais feliz que noutros programas), a ideia do “sofá” e outras coisas que tais.Quando a este programa já tinha visto na Record (“O Jogador”) e parece-me que o voz-off estava melhor e haverá pontos a melhorar (criar algo que mostre facilmente que as entrevistas da Ana Galvão não estão a ser ouvidas pelos concorrentes; ar mais sério do JCM; etc)

  2. Pergunto-me muitas vezes se não seria mais interessante pegar em concursos de outros tempos da RTP (não estou a falar do paupérrimo “Super Concursos” do ano passado) em vez de pegar em franchises actuais. Será que fica mais barato importar concursos totalmente formatos em vez de criar concursos que usem ideias do “nove foras nada” e de outros concursos do Artur Agostinho e de outros.