25 de Abril sempre

Ponto alto das efemérides 25 de Abril da RTP-1 foi o espectáculo Vozes de Abril: um desfile de canções “clássicas” quer da resistência ao regime quer do período libertário pós-revolução, em muitos casos interpretadas pelos seus criadores originais, com direcção musical de Carlos Alberto Moniz e apresentação de Júlio Isidro e Sílvia Alberto. 

A emoção dos espectadores presentes no Coliseu e de muitos dos artistas era genuína e significativa do impacto e da importância que estas canções têm. Mas, para quem não tem essa memória, para quem não viveu o período, Vozes de Abril não passou de um sofrível espectáculo de variedades na velha tradição da RTP — uma espécie de Operação Triunfo só que com artistas consagrados, tal a infelicidade de alguns dos arranjos (estou-me a lembrar das participações de Manuel Freire e daquele coro vocal que parecia tornar tudo em música de casino) e a sensação de não ter havido suficiente tempo de ensaios. 
Foi um bom exemplo de como não se deve celebrar o 25 de Abril: codificando-o e trivializando-o. Como quem diz, “bom, é preciso fazer alguma coisa, isto é capaz de funcionar”. Não funcionou.

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