25 de Abril sempre

Já não sei o que é que me parece pior: se ignorar a efeméride do 25 de Abril e tratá-lo como apenas mais um feriado (como os canais privados o fazem, programando os filmes e novelas e afins que se programariam num feriado ou num fim de semana), se marcá-la com exactamente os mesmos programas e as mesmas abordagens que se fazem todos os anos (como a RTP faz, mostrando pela enésima vez o filme de Maria de Medeiros Capitães de Abril, fazendo as habituais reportagens sobre “vidas de Abril”, emitindo as sessões solenes). 

Provavelmente, estou a ser ingénuo, e não pretendo com isto minimizar ou desrespeitar ninguém, mas gostaria que houvesse uma outra forma de marcar a data sem cair na indiferença total de um lado nem no lugar-comum gasto da “Grândola Vila Morena” ou “E Depois do Adeus” do outro. Não tenho uma resposta mágica nem uma ideia específica de como o fazer, mas acho – e não é de agora – que se queremos que o 25 de Abril continue a ser marcado de um modo que continue a fazer sentido à medida que o tempo passa, essas celebrações têm de evoluir com o tempo e não ficar agarradas ao mesmo de sempre.

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