Santanismos, barrosismos e marquesmendismos

Já não me recordo quem inventou a frase “o mefistofélico professor Marcelo” (estava quase a dizer que teria sido o Contra-Informação, mas não me parece), mas ouvir o professor Marcelo Rebelo de Sousa a dissertar sobre a crise do PSD, no seu programa de domingo à noite, foi uma experiência que me recordou essa frase. 

O modo como o emérito académico e comentador desenhou os antecedentes da crise e comentou os possíveis desenvolvimentos teve, ao mesmo tempo, algo de historiador político, de contador de histórias, de conversa de café e de aula universitária, sublinhado pelo prazer evidente que a inteligência arguta do professor tinha em estar a debater um assunto tão querido ao seu coração. 
Mas onde eu me lembrei do adjectivo “mefistofélico” foi quando o professor Marcelo começou a falar de “santanismos”, “barrosismos”, “marquesmendismos”, “menezismos” e outros “ismos” que pareceram reduzir o PSD a uma série de tribos burguesas prisioneiras de constantes guerrinhas por poleiros. Claro que, às tantas, eu já estava com a cabeça às voltas a tentar perceber quem era quem, mas o virtuosismo sem esforço com que Marcelo Rebelo de Sousa faz estas coisas explica porque é que continua a ser um comentador de referência.

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